terça-feira, 24 de julho de 2012

Depois da bonança, vem sempre a tempestade

 

E que ninguém venha me dizer o contrário! Primeiro porque já ando farta dessas frases feitas, jogadas aos nossos ouvidos o tempo todo; depois, não quero nenhum tom apaziguador aqui. Na verdade, o que eu quero mesmo é meu tempo livre de volta.

As férias acabaram. Bem vinda à realidade, VANUZA…

Sad smile

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quarta-feira, 28 de março de 2012

Todo dia ela faz tudo sempre igual Acordar para ser engolida

 

Segunda a sexta, é sempre a mesma coisa: vejo a cidade acordar e vou acordando junto. Vou assistindo o dia raiar e me parece que pego o melhor momento do céu de SP. Pode até não ter amor em SP, mas o dia nesse horário meio noturno é bem amoroso com seus moradores. A beleza do dia é isso…

Ainda meio sonolenta, não me escapaM as inúmeras expressões dos trabalhadores, que, como eu, têm de acordar quando ainda é escuro. De todo jeito, me sinto uma estranha naquele “ônibus-ninho” das 5h40. As pessoas me olham de cima a baixo, reconhecem que de algum jeito eu não sou como eles. Um dia protegi com minha sombrinha uma senhora, que ia tomar um banho de lama lançada por carros num dia de chuva. Ela me respondeu, meio agradecendo do jeito dela: “Me desculpa, mas é que aqui só tem peão, minha filha. Esses motoristas não se importam com a gente, não.” Não tive nada a dizer a ela. Desde então, as pessoas me dizem isso todas as manhãs: “não se importam com a gente, não”.

Também tenho eu uma sensação que deve transparecer em minha face. Para mim, parece que acordo para ser engolida pela cidade. Acho que tenho acordade com essa cara de cansaço da vida. Para ser sincera comigo mesma, tenho que admitir, a cidade nunca morou em mim. Tem sido o oposto mesmo, sou eu que moro nela. Não tenho uma ligação sentimental com São Paulo. Onde está o muro azul de Caetano Veloso? É desse tipo de coisa que sinto falta.

Meus amigos locais que me perdoem, mas já não vejo muito sentido nesse tipo de vida urbana. Digo isso porque(,) se tem alguma coisa aqui que o valha, são vocês. Mas eu quero ter uma vida em uma cidade decente, que zela por seus moradores. Mudo eu ou mudo a cidade?

domingo, 11 de março de 2012

Expectativa para o show de Chico: 11 de março de 2012

 

A música tem dessas coisas, traz coisas guardadas a sete chaves no inconsciente, no coração, sei lá onde, mas nesses lugares em que guardamos os sentimentos. 

Desde que comecei a ouvir as músicas de Chico Buarque, “Com açúcar, com afeto”  foi e continua sendo a que mais gosto. Não é que não tenha nada a ver comigo, claro que tem! A submissão feminina e a dependência emocional sempre me tocaram de forma cortante. Eu não quero isso para mim, luto contra o tempo todo. Mas sofro de ver tantas mulheres nessa condição…

 

Com Açúcar, Com Afeto

Com açúcar, com afeto, fiz seu doce predileto
Pra você parar em casa, qual o quê!
Com seu terno mais bonito, você sai, não acredito
Quando diz que não se atrasa
Você diz que é um operário, vai em busca do salário
Pra poder me sustentar, qual o quê!
No caminho da oficina, há um bar em cada esquina
Pra você comemorar, sei lá o quê!
Sei que alguém vai sentar junto, você vai puxar assunto
Discutindo futebol
E ficar olhando as saias de quem vive pelas praias
Coloridas pelo sol
Vem a noite e mais um copo, sei que alegre ma non troppo
Você vai querer cantar
Na caixinha um novo amigo vai bater um samba antigo
Pra você rememorar
Quando a noite enfim lhe cansa, você vem feito criança
Pra chorar o meu perdão, qual o quê!
Diz pra eu não ficar sentida, diz que vai mudar de vida
Pra agradar meu coração
E ao lhe ver assim cansado, maltrapilho e maltratado
Ainda quis me aborrecer? Qual o quê!
Logo vou esquentar seu prato, dou um beijo em seu retrato
E abro os meus braços pra você.

domingo, 4 de março de 2012

De tudo um pouco: de 2011 para 2012

 

Parece que faz muito tempo que comecei isso aqui, mas ao mesmo tempo tudo passou tão rápido que parece que foi ontem. Prova da correria que vivemos numa cidade grande, louca, boa e má como São Paulo. Tive muitas ideias, várias coisas quis postar aqui. Mas, juro, não deu tempo. Até porque é tanta informação que muitas vezes quero ficar só, pensando, sem nada fazer nos meus momentos de banzo…

Muita coisa aconteceu desde o último São João na Bahia. A primeira coisa foi que perdi todas as fotos que tirei por lá. O cartão de memória deu pau, e Lipe arrumou outro pra gente. Mas aí já eram minhas fotos da fogueira que durou uma noite inteira e no outro dia pela manhã ainda estava lá, só com uma fumacinha e muita poeira de cinzas. Gente estava tão empolgada em relatar a viagem que até fiz “lookbook” com a minha camisa xadrez azul. Fica para uma próxima…

Depois teve uma viagem sensacional com Mari, Tiana e Tomé. De novo pensei em várias coisas para escrever, mas aí não seria de lookbook coisa nenhuma. Seria do contato intenso com Tomeco no seu primeiro ano de vida; também uma despedida, já que agora ele e Tiana já estão na Bahia e vai demorar para ficarmos tanto tempo juntos. E por falar de criança, logo em seguida à viagem, eu comecei a trabalhar com esses pequetitos. Foi muito bom ter a convicção que aos 31 anos encontrei a coisa certa para trabalhar. E agora digo com certeza: não quero outra coisa na minha vida profissional!

E para fechar o ano com chave de ouro, teve a viagem para a Argentina. E como não poderia ser diferente, já que Buenos Aires é uma cidade de “traços” fotogênicos, pensei de novo no meu blog abandonado. A primeira ideia que tive foi fazer um post de fotos das lindas varandas – todas muito floridas – que avistei. Quando vi as fotos das benditas varandas, vi que não dava para executar a ideia com fotos tiradas de longe com uma câmera doméstica. Mas como quero voltar a Buenos Aires, me prometi executar o plano, pois sim, terei a máquina fotográfica dos meus sonhos!

Espero poder continuar escrevendo aqui durante este novo ano de 2012. Primeiro porque uma pessoa muito especial, não é Tê, me perguntou do blog; depois, é gostoso mesmo escrever, porque relembro coisas que me fazem refletir sobre viver o mundo. Não vai demorar tanto para escrever de novo! Vou aproveitar as aulas chatas para escrever…

LT Blog

segunda-feira, 20 de junho de 2011

A melhor manifestação cultural nordestina


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= São João na Bahia

“Ai que saudades que eu sinto, das noites de são João/
Das noites tão brasileiras,  das fogueiras, sob o luar do sertão./
Meninos brincando de roda, velhos soltando balão,/
Todos em volta a fogueira, brincando com o coração,/
Eita são João dos meus sonhos, eita saudoso  sertão” (Luiz Gonzaga)

Pode parecer exagero, mas não tem coisa melhor nesse mundo do que São João no Nordeste. Porque no Nordeste não tem isso de festa junina, a gente comemora o São João! Alías, a história é a seguinte: planta o milho no dia de São José, reza o terço no Santo Antônio, faz festa no São João e lembra do São Pedro.

Desde 2005 que não compareço a uma autêntica festa de São João, o santo mais festeiro do mês de junho. E São Jõao que se preze tem que ter fogueira, tem que ter forró, tem que ter comida de milho, licor de jenipapo… As festinhas “juninas” que tentei fazer em São Paulo nunca foram muito autênticas: ou não tinha fogueira, ou não tinham baião, ou não tinham fogos de artifício.

Desta vez quero matar a saudade de tudo isso e ai de meu pai que não faça aquele fogueirão, do tipo que começa no dia 23 e só acaba no dia 24. As fogueiras que meu avô fazia eram assim, juntava a netarada toda para assar milho, acender chuvinha e ouvir as histórias do velho Marotinho. Meu avô chamava Maroto e o São João era a festa que ele mais gostava, apesar de ter nascido no São Pedro.  No imenso quintal da casa dos meus avós tinha milho verde para comer fresquinho, tirado do pé. Meu avô Maroto era um cabra muito trabalhador, que plantava milho no São José para a família comer no São João.

Ainda que esse São João da minha memória seja idealizado, quero reviver um pouco do que restou. Pelo que ouço dos meus pais, esse tipo de festejo tem se enfraquecido a cada ano, infelizmente. Quinta feira, dia 23, vou conferir e aproveitar o que ainda existe do São João.

sábado, 18 de junho de 2011

O Primeiro Passo

 

Faz tempo que penso em criar um blog. Escrever me anima um pouco, mas o que me move é a vontade de ter um tempinho pra mim, para pensar as coisas ao meu redor, a minha rotina, as coisas que gosto de fazer e que me dão prazer.

Arrumadinho é um prato típico nordestino e sua apresentação é como diz o nome, vem tudo bem montadinho e arrumado. Esse blog será assim: vai ter de tudo um pouco como o prato e também será arrumadinho, já que vai ser um espaço onde quero “arrumar” as coisas que passam pela cabeça.

Para começar o blog, uma música cantada por Marisa Monte no disco Infinito Particular. Para mim ela representa o que é ser mulher – “mulher moderna”.

Gerânio

Composição : Nando Reis, Marisa Monte, Jennifer Gomes

Ela que descobriu o mundo
E sabe vê-lo do ângulo mais bonito
Canta e melhora a vida, descobre sensações diferentes
Sente e vive intensamente

Aprende e continua aprendiz
Ensina muito e reboca os maiores amigos
Faz dança, cozinha, se balança na rede
E adormece em frente à bela vista

Despreocupa-se e pensa no essencial
Dorme e acorda

Conhece a Índia e o Japão e a dança haitiana
Fala inglês e canta em inglês
Escreve diários, pinta lâmpadas, troca pneus
E lava os cabelos com shampoos diferentes

Faz amor e anda de bicicleta dentro de casa
E corre quando quer
Cozinha tudo, costura, já fez boneco de pano
E brinco para a orelha, bolsa de couro, namora e é amiga

Tem computador e rede, rede para dois
Gosta de eletrodomésticos, toca piano e violão
Procura o amor e quer ser mãe, tem lençóis e tem irmãs
Vai ao teatro, mas prefere cinema

Sabe espantar o tédio
Cortar cabelo e nadar no mar
Tédio não passa nem por perto, é infinita, sensível, linda
Estou com saudades e penso tanto em você

Despreocupa-se e pensa no essencial
Dorme e acorda